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Henrique Resende: jovem fotógrafo apresenta projeto “Interpretações Nuas”

Por Raphael Ezonne

Quem nunca fez algo de diferente para libertar aquilo que está preso dentro de si, não é mesmo? Um grito de socorro ou qualquer coisa que remetesse à um sofrimento do passado. É descrito dessa forma que enxergo o projeto do jovem fotógrafo Henrique Resende, do site “Fotografe Uma Ideia“.

Henrique participou recentemente do programa “Encontro Com Fátima Bernardes” na TV Globo, falando justamente do seu trabalho e sobre o site no qual ele colabora com conteúdo, juntamente com Francine de Mattos. Na ocasião do programa, os dois que não se conheciam pessoalmente, puderam finalmente dar um abraço.

“Interpretações Nuas”, nome de seu projeto, é um trabalho sobre a loucura contida sobre um grito que começava a esvair e precisava ser liberto através da fotografia. A série, segundo Henrique, o envolve em tudo o que existe de mais cru e puro no mundo. Sua influência vem inteira pelo carinho ao artista carioca Rodrigo Benatti, que se tornou um grande amigo.

Como qualquer artista pode passar pelo menos uma vez na vida, Henrique disse ao Cherryouth que estava em um momento de pouca inspiração para compor seu trabalho: “Pouco antes de conhecê-lo [Rodrigo Benatti], eu estava entrando num hiato bastante forte de criação. Eu não conseguia produzir por não ver sentido em nada que fazia – e pra quem trabalha com arte, não existe nada pior. O Rodrigo me proporcionou (e proporciona) momentos reais de ligação com a arte, com o que transcende os sentidos humanos e divinos. Eu me inspirei na estética do trabalho dele para criar as fotos. É o tipo de plasticidade que, de alguma maneira, remetia à narrativa sobre a qual me inspirei: o desespero pela morte da minha mãe, o arrependimento de não tê-la fotografado”.

Acesse o portfólio de Henrique Resende

O próprio jovem serviu de modelo para a série. Quando ele fotografou, sua mãe havia falecido há um ano e após isso, viajou para Minas Gerais, sua terra natal, onde ficou sozinho e (re)produzindo. Claramente engajado em seu projeto através do seu jeito de descrevê-lo, Henrique nos contou que existe essa questão do movimento que ele acha que consegue ficar mais clara produzindo nesse estilo: “De todas as artes, a fotografia é a única que uma base sólida para firmar sua existência. É possível pintar algo que não existe, mas é impossível fotografar algo que não existe. Dentro disso, a longa exposição é a técnica que mais nos aproxima do etéreo. Na série, tudo o que eu buscava era etéreo. E impossível, naquele momento”.

Henrique fotografou tudo em Minas Gerais, numa madrugada só. A série não está pronta, ainda faltam alguns movimentos e um corpo, mas ele diz que só vai fotografar lá quando estiver sozinho: “Tudo envolve esse sentimento de busca por algo, entende? É uma necessidade de me ligar a essa idealização, esse platonismo. Eu fotografo enquanto não posso tocar. Faz sentido?”.


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